Ontem dissestes não ser capaz de mentir para si mesma
Hoje te confesso que sofro muito deste mal
Não menti apenas para mim, mas também para ti.
Menti omitindo, menti não respondendo, menti evitando
Não menti apenas para mim, mas também para ti.
Menti omitindo, menti não respondendo, menti evitando
Medo sim. Ontem tive medo Ana. Medo de dizer o que sinto, pois o que eu sinto quase nunca é o que eu penso e quase sempre me machuca
Tive medo de me sentir nu, desprotegido, não viril, não sedutor, eunuco.
Medo de te perder no primeiro momento que eu deixasse passar pelos meus olhos exatamente o que eu queria de você.
Quero de você teus sentimentos jorrantes, teu sorriso sincero, teu olhar descoberto e ombros relaxados. Te quero exatamente como estavas, mas eu me queria diferente. Eu me queria menos romântico, mais garanhão, mais suficiente.
Pensar que eu poderia ter agido diferente, dito as coisas de outra forma ou até te olhado de outro jeito não é nada além de arrependimento. Arrependimento este que faz os erros parecerem permanentes, que o passado é imutável assim como tudo que ele contém.
Seria fácil atribuir culpa à afinidade, ainda mais quando se pensa em um casal tão diferente como nós. Dizer que acalentamos pouco nossas conversas ou que seduzimos pouco o olhar um do outro podem parecer justificativas boas, dignas de um suspiro relaxante e comunhão com o passado.
Só que pra mim a afinidade se constrói, os laços se estreitam e o desejo aumenta paulatinamente. Tudo depende de uma dificílima porém simples decisão: Permitir se apaixonar. Apaixonar-se é então entolecer-se, fragilizar-se, machucar-se e conhecer-se...
Saber que compartilhas do mesmo âmago da existência que fez meu coração sangrar foi a única coisa ruim que contastes que me fez bem. Me fez bem porque soube ali que encontrara uma cúmplice para todo esse trama no qual eu vivo. Alguém para rir comigo das dificuldades tão óbvias que passamos.
A única questão não resolvida nas minhas anotações era: Por que você?
Sei muito bem que todos no mundo sofrem de "mal" semelhante, mas por que o teu é para mim tão igual ao meu que as vezes penso que um precisa do outro?
Vejo nossos futuros muito distantes, em rumos divergentes, mas nem por isso me vejo deixando passar a chance de passar contigo alguns momentos. Não há como saber do futuro, apenas o que se quer dele. E dessa vez não vou mentir...
Quero alguém que ressignifique a vida, que me construa e descontrua, sem ao menos perceber. Que pese certo as coisas certas e saiba rir da vida. Que goste de rir da vida.
Alguém que se respeite, que me respeite, que as vezes se baste, mas que as vezes não, que se movimente, que compartilhe seu mundo, que se fascine com o meu. Que me queira bem mesmo com outra, que confie em minha palavra e que confie na sua. Que seja cúmplice, igual e diferente. Que veja as diferenças como são, detalhes.
Quero alguém que respire em minhas pausas, que suspire em minhas falas, que me beije imediatamente.
Dezembro, 2013
