terça-feira, 27 de setembro de 2011

À EJESAM


Que de nossos louros guardemos a história, com a humildade que norteou nossos primeiros passos.
Que sejamos sempre puros em princípios e constantes em propósitos.
Que mantenhamos o espírito de equipe, força inegualável de motivação e regulação.
Que com determinação formulemos uma nova forma de pensar e agir.
Que estejamos de corações abertos para o novo e mente preparada para os desafios.
Que tudo não passe de uma brincadeira, onde rir é sempre a "figas" e o nosso humor nunca acaba.
Que as palavras: cooperação e transformação sejam sempre referência quando sentirmos os problemas serem muitas vezes maior que nós mesmos.
Que impere em nós o calor de sermos quem somos.
E que sejamos quem somos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Aos pensadores sintetizadores

“Respirando fundo e exercitando o não pensar.

Pensei no não agir e pude enfim me concentrar.

Eu vi as luzes que se escondem por trás de cada conhecimento.

Entendi por vez, a origem de uma frase de efeito.”

Hoje eu vi, do outro lado da janela, mil presentes de outros tempos. Lembretes de anônimos que muito fizeram para construir o que pensamos. Estes presentes estão disfarçados nos muitos gestos e pequenas frases que utilizamos diariamente, mas redescobri-los não é fácil. São como tesouros de piratas: quanto melhor escondidos, mais valiosos. São verdadeiros "pacotes" de aprendizagem, adquiridos ao longo de uma vida inteira e sintetizados em breves instantes.

Estou falando dos presentes de um tipo especial de pessoa, que os deixam no mundo de muitas formas, na maioria sem percebermos. Claro que há muito em que um ser pode contribuir para nossa cultura, mas acredito que das tantas funções vitais que desconhecemos, seja esta a mais importante.

Logo, não estou falando de qualquer tipo de função, tão pouco de qualquer tipo de pensador. Estou falando dos tesouros deixados pelos “pensadores sintetizadores” que, como poetas, clarificam e engrandecem a vida. Dão sentido e amor aos fatos e compartilham para muitos uma sabedoria facilmente compreendida por cada um e cada nível de consciência.

Estas pessoas são verdadeiras mestras na arte de gerir o conhecimento, com suas prosas e risadas, ensinam-nos a ver que o mundo como de fato é, sem verdade absoluta. Onde há apenas o bem e o mal e que estes são definidos dentro de nós e em nós ficam.

Foi olhando para o lado de fora da janela daquele ônibus que eu vi que muito aprendi com aquilo que já conhecia. Como um ciclo que se retroalimenta com as mesmas frases, mas que voltam sempre com algo novo.

Os ditados populares são um grande exemplo de sabedoria sintetizada, dentro deles algumas frases se repetem em nossas vidas e a cada década parecem significar coisas distintas, talvez mais profundas, talvez mais simples, mas o fato é que são fontes inesgotáveis do saber.

São estes pacotes de sabedoria, dispersos em todo o mundo, que vi naquele dia e por isso vim agradecer a todos que já ajudaram a fazer da vida algo mais fácil, mais alegre e divertido.

“Certamente ei de encontrar.

Muito mais destes tesouros.

E enquanto eu caminhar.

Repartirei estes vossos louros.”

Obrigado!

Alessandro Rodrigo Maiochi

27/08/2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

11/07/2011

Deixe-me ir.
Sou semente flutuante de um dente de leão,
Não pertenço mais as tuas raízes.

Deixe-me ir.
Sou ave nobre, Águia nobre, presa neste galinheiro.
Vivo nas lembranças dos vôos e rasantes que ainda não fiz e na felicidade que ainda não tive.

Por isso, deixe-me ir.
Descobrir a terra pelos olhos Dele,
Sentir o vento fluido envolver o meu corpo e nadar no ar como nunca vistes.

Deixe-me ir para nutrir-me dos milagres que nunca entendestes, integrar-me à natureza que esquecestes, ser o todo no UM que pertencestes.
Beber a água das artérias da terra, contemplar o mundo à Sua imagem. Conhecer lugares e vidas que sequer imaginastes.

Deixe-me ir, para que um dia eu volte
e te leve comigo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A vivência popular


É sempre assombroso perceber que enquanto vivemos, pouco vivenciamos. Isso quando se passa despercebida, a linha do tempo e espaço que só se acusa e espanta no fim de nossos dias.

Nos perguntamos: - Nesses anos, o quanto eu vivi?

De imediato ligamos a razão na emoção e percebemos o erro de não dizer o que deveríamos ter dito, nem fazer aquilo que deveríamos ter feito.

Mas por quê?

Por que somos assim, tão perdidamente crentes que somos felizes até o dia em que a terra se faz verdade e a matéria se faz poeira?

Você pode achar um devaneio, mas o popular é sábio e não ignora a verdade. Por incrível que pareça cada calo do trabalhador tem mais história que o seu dedo.

É na praça, nas escolas, na ponte e nas aldeias que o popular se encontra e livremente permite um caminho novo sem limites.

Desta forma todo aprendizado é legítimo e não segmentado. Se aprende algo de todo e nunca o todo de algo.

Tá certo que uma coisa é fato. O popular não é fátuo e permanece lá do lado de fora da janela.

Alessandro Rodrigo Maiochi - 08/06/2011

Arte

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Universidade Federal = Salada Cultural

Não distantes de um profundo e sério debate sobre cultura e etnia no campus universitário da UFSC - Florianópolis, os alunos da disciplina Educação Popular, orientados pela professora Maristela Fantin e seu estário Eliton Seara, se envolveram sem perceber no tema e acabaram criando uma grande socialização com os alunos de licenciatura indígena da UFSC.
Entre os 100, sem frutas foi o problema,mas que logo logo passou e trouxe a cada um do centro, a fruta que queria no momento.
As cores, os rostos, as caras e bocas se se misturavam no hall do CFH que estava repleto de cartazes coloridos sobre libertação sexual. Foi nesse amaranhado de informações que a atividade tomou conta de cada um e servirá de lembrança de que a educação não segrega e não limita. É um eterno movimento, intenso e sadio por natureza.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aula na praça



Foi no dia 6 de abril que eu pude somar mais uma experiência ao meu mural de lembranças.

Caminhava acelerado com o pé direito sempre mais a frente que o esquerdo. Saí do ônibus no terminal do centro e só consegui terminar de por minha mochila nas costas no meio do caminho. Estava atrasado.

Passei por asfaltos, paralelepípedos e escadas até chegar à praça XV onde pude reduzir o passo e começar a procurar um grupo de pessoas conhecidas que sentavam na escadaria da catedral logo em frente.

A apresentação foi simples e 10 minutos depois estávamos divididos em duplas para a nossa primeira dinâmica: reconhecer o popular.

“Vivo observando as pessoas e como elas interagem com o ambiente. Quem diria que isso seria adotado durante uma aula?”. Pensei ingenuamente ainda sem perceber que Paulo Freire não vive só em teoria e que fora do CTC seus métodos têm voz e vez.

Circulamos a praça, eu e Manoella, primeiro separados depois em conjunto. Ao andar senti o vento balançar as folhas das árvores e os pássaros pularem de prédio em galho. Observei os limites desse mundo: quatro estradas bem asfaltadas e barulhentas que faziam a sombra da Figueira ser resistência ao agito do mundo moderno.

- Bom dia! – cumprimentei o cidadão que trabalhava limpando a praça.

- B-Bom dia – respondeu curioso franzindo a testa esperando algum tipo de explicação ou pedido.

Deixei-o com sua vassoura e pá e com o pé esquerdo calmamente continuei a saudar os meus “colegas de praça”.

Parei um instante na grade que divide o gramado do piso da praça e anotei mentalmente “A praça XV é um encontro entre reinos e planos e se respirarmos fundo veremos luzes em trânsito que já não respondem mais aos seus encantos”.

- Muitas pessoas não se conectam mais com o mundo e poucos são os que vivem a realidade da Terra – Comentei com Manoella que segurava com um braço algumas folhas brancas rabiscadas de pensamentos.

“Não só de pão vive o homem” diria a evangélica retratada por minha colega sentada em um banco da praça que de noite servia de cama... “Nessa praça há mais que missionários, há moradores.”

José Carlos Ribas cheirava à praça e ajudou-me a entender um pouco mais sobre o dia-a-dia.

“O dia-a-dia é uma espécie em extinção, se me permitem dizer. Afinal, quem hoje ainda vive o presente?” Indaguei sozinho.

A conversa estava boa e doei meus ouvidos às palavras de José que o transformava em músico e tradutor de inglês na minha frente. Com seus dedos grossos de calões e sujos de asfalto ele anotara no meu caderno o endereço virtual onde eu posso baixar as músicas do nordestino gravadas no Rio de Janeiro.

Apoiei-me nos joelhos e ergui meu corpo, saldei novamente o colega de praça e voltei com minha colega de classe para o grande grupo, apenas com um pequeno desvio onde outro músico da praça emprestava os seus acordes para os meus ouvidos.

No grupo as duplas traziam suas vivências e alimentavam o grande caldeirão de idéias que com habilidade era mexido e dividido entre todos para que cada um saísse com o sabor da lembrança de cada outro.

Aquecidos agora novas duplas se formavam e com a espanhola Clara eu fui explorar a escola pública perto da escadaria. Desta vez a dinâmica foi mais rápida e infelizmente o portão da escola não cedeu às nossas batidas.

Uma volta e outra e tudo o que vimos foram crianças atrás das grades. Surpreendentemente os estudantes saíram do recreio diretamente para suas casas, cerca de uma hora e meia antes do meio dia.

- Olá, tudo bem? – perguntei a criança que saía da escola com o pé direito sempre a frente do esquerdo. Não obtive resposta.

Senti que o tempo que me restava para interagir com aquela criança era o tempo que ele tomaria para passar por mim pela calçada e terminar de por sua mochila. Tinha apenas uma munição e a atirei no alvo.

- Saindo da aula assim tão cedo?! – Perguntei fazendo graça do meu espanto. Por um breve instante a criança me encarou e respondeu com um sorriso tímido, mas verdadeiro:

- É...

Os olhos ágeis de Clara captaram certo padrão no comportamento dos jovens e uma zona de energia começou a aparecer em cada um. Os meninos no alto da escada com uma grande aura abriam espaço entre cada um deles para exercer sua dominância enquanto que as meninas se exprimiam com suas conversas em um canto da rua. Neste momento se fez claro a preocupação que se deve ter com a questão do gênero na educação.

Dados como satisfeitos bastou apenas descer as escadas e encontrar o grande grupo no museu em frente ao Bob’s.

Uma terceira, quarta e quinta dinâmica ocorreram e desde histórias sobre o museu à privatização dos espaços públicos foram abordadas.

Fragmentos do que fora uma exposição de arte encantou a todos e todos os encantos do que fora um jardim se fragmentou no tempo.

Alessandro Rodrigo Maiochi

27 de abril de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

O pai de Júnior

O sol já batera o ponto a algumas horas e a lua estava excepcionalmente bela naquela noite.
Um homem cambaleava por entre as árvores do bosque e tropeçava.
Salvo pelos reflexos que ainda o restavam agora se sustentava no tronco da velha Figueira. Olhou para cima e viu um casal de pássaros voarem felizes em direções opostas, encostou seu queixo no peito e sentindo o cheiro azedo de vinho e batom de sua camisa xadrez azul e marrom percebeu que não poderia voltar para casa.
E pensar que hoje mesmo mostrava ao seu filho como rio é limpo e flúido. Se indagou um momento sobre a vida e teve um desses estalos de consciência onde se percebe uma luz clareando nossos pensamentos obscuros. Chegou a rir de suas preocupações, fechou o zíper, olhou para a árvore e disse:
- Me desculpe.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Blos e artigos imperdíveis

http://viajandoevivendo.blogspot.com/
http://atreve-te-a-viver.blogspot.com/2007/09/viajar-sentir.html
http://blog.osegredodavidafeliz.com.br/2010/08/liberdade-para-viver-viajando.html
http://impulsosdalma.blogspot.com/
http://paraviajeros.blogspot.com/
http://pergaminhoeletronico.wordpress.com/
http://pelo-mundo.blogspot.com/2011/03/imediatismo.html

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O positivismo é uma linha teórica da sociologia, criada pelo francês Auguste Comte (1798-1857), que começou a atribuir fatores humanos nas explicações dos diversos assuntos, contrariando o primado da razão, da teologia e da metafísica. Segundo Henry Myers (1966), o "Positivismo é a visão de que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma fonte externa, mas sim, confinar-se ao estudo de relações existentes entre fatos que são diretamente acessíveis pela observação".

Em outras palavras, os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenos externos, como a criação do homem, por exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética.

Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. O fundador da linha de pensamento sintetizou seu ideal em sete palavras: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Comte preocupou-se em tentar elaborar um sistema de valores adaptado com a realidade que o mundo vivia na época da Revolução Industrial, valorizando o ser humano, a paz e a concórdia universal.

O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima, o emprego da frase positivista “Ordem e Progresso”, extraída da fórmula máxima do Positivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", em plena bandeira brasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social.

Embora o positivismo tenha tido grande aceitação na Europa e também em outros países, como o Brasil, e talvez seja, a base do pensamento da sociologia, as idéias de Comte foram duramente criticadas pela tradição sociológica e filosófica marxista, com destaque para a Escola de Frankfurt.

terça-feira, 29 de março de 2011

Alezz.floripa

Alezz.floripa: "Graduando em engenharia sanitária e ambiental. Empresário Júnior. Escoteiro. Viajante.
"

domingo, 27 de março de 2011

A liberdade dos andarilhos...

A liberdade dos andarilhos...
Edvaldo Rosa


Olhar fixo para além da janela, buscando algo que nem existe, ou se existe não se mostrou ainda.

Pensamentos dispersos, voando... Parando um pouco aqui, um pouco acolá!

Mãos trêmulas!

Segurando um maço de cigarros e um isqueiro, incertas ainda sobre o que fazer com eles...

Ouvidos atentos a todos os sons, estranhando alguns, outros nem tanto!

A procura através da janela se faz com nervosismo e ansiedade!

Estar só é um enorme sacrifício e uma tortura. Estar completamente só é uma loucura!

Na memória vou buscando volta e meia os motivos desse exílio.

Bobagens vão sendo encontradas aos montes...

Uma briga com a esposa, uma cisma com os filhos, a namorada de um deles, a mãe sempre chorosa e o cachorrinho da sogra!

Que salada!

Que bagunça sem nome, construindo um mal estar tão agudo, oprimindo tanto o meu peito que respirar parece um martírio!

Queria ser agora, um andarilho! Ter a liberdade das estradas...

Viver um pouco da vida de cada lugar, gozar da vida de cada parada!

Ter nos olhos outras cores, fora o cinza desta cidade empoeirada! Ouvir outros sons que não fossem os dessas buzinas desesperadas, ansiando um movimento, que se acontece, lhes é ainda lento e ineficaz!

Minha boca tem fome...

Queria tanto comer comidas estranhas ás que até aqui tenho devorado, maquinalmente, sem cara de quero mais!

Queria tanto sentir outros sabores, diferentes destes já tão iguais...

Meu corpo tem fome...

Fome de um amor! Um amor estonteante!

Minha alma então se ressente... Estou a procura de algo mais!

Queria tanto ser outro, liberto desses sentimentos, desses pensamentos, desses receios do que é certo eu do que é errado... Queria estar liberto de meus atuais pudores, para viver amores que nem sentem medo de amar e nem de serem amados!

Queria o gozo mais longo... Daqueles que hoje creio estarem envoltos em pecados!

Assim o amor em mim seria menos calmo, menos sempre o mesmo, morno, requentado!

E até o meu desejo estaria sendo assim sempre renovado!

Quem sabe em outras terras não sentiria de novo o frescor de meus melhores anos, naqueles em que eu era o melhor em tudo e o mais belo e o mais desejado?

Quem sabe em outras terras eu não seria disputado por inúmeras e belas donzelas,onde tocar-lhes a pele alva não se constituiria um enorme pecado... Nem abusar de suas carnes, nem tanto assim resguardadas...

Mas ao olhar, que não encontra nada disso através da janela, se manifesta!

É tudo, outra vez, delírios e sonhos...

Será que nesta altura de meus anos, uma loucura em mim se instala?

Desvarios e sandices, indo e vindo dentro de minha mente, bulindo com as iniquidades em meu coração produzindo estes desvarios...

Não sou feliz da forma que vivo, ou vivo de uma forma infeliz?

As paragens onde posam os meus olhos nada respondem ás indagações que me acorrem nesta hora, uma nuvem negra, no entanto, passa sobre a minha casa, talvez seja a mesma que me aperta o coração e seja a mensageira de tantas mágoas.

E entre os dedos o maço de cigarros, com o qual pouco a pouco me mato e na outra mão o isqueiro que nervoso acendo tresloucado, olhando fixo as suas chamas, nas quais me imolo!

Volto minha face para um espelho suspenso em uma parede da sala e súbito tudo me parece engraçado, tudo isso parece muito engraçado...

Meus olhos fitando os meus olhos no espelho encontram uma face embasbacada!

Eu aqui pareço aquelas criancinhas mimadas, ressentidas pelo tratamento que lhes fora dado ou aqueles jovens que foram pegos em seus atos mal feitos e por isso malfadados...

Eu aqui procurando futuros incertos, tanto quanto o foi o meu passado, chorando lágrimas temperadas pelo sal do desespero e do desentendimento.

Enquanto a vida lá fora, livre das garras de meu olhar viciado, vibra e se propaga!

Ser enfim um outro não mudaria nada!

Ele, o outro, nem ao menos teria algo a ver comigo, não sentiria as minhas dores e os meus machucados nem seriam as suas chagas...

Se ressentiria com outras coisas e estas minhas coisas seriam apenas piadas...

Ser assim tão diferente de mim mesmo, faria tanta diferença, que seria necessário a natureza parir-me assim como sou para que eu existisse... Os mesmos pais para uma mesma vida?

E as estradas, estas de meus sonhos, que me acenam assim tão divinas, não seriam as mesmas onde imprimi minhas pegadas...

Passos e espaços em que lançaria o meu corpo, meus sentimentos e minha alma!

No fim, o único espaço para o andarilho, que ele pode chamar de seu, é aquele que ocupa os seus pés. E a sua liberdade, mesmo não estando tolhida por grades, dependerá apenas de si...

Tudo o que o cerca não lhe pertencendo, não é verdadeiramente seu e sua vida estará restrita ao que lhe propicia os seus sentidos, pois os alheios serão apenas breves brisas fugidias...

Sou assim, o que faço de mim mesmo, serei assim, o que ardentemente fizer de mim.

Sendo um andarilho nesta vida, tudo o que tenho e que posso chamar de meu é o que trago comigo,

será o modo com que reparto com os outros o que é meu, será o modo como os outros repartem comigo o que é seu, que fará a diferença em nossas vidas... Os pensamentos e sentimentos que compartilhamos, em sua origem, são nossos, mas que se transformam ou não com o contato com os pensamentos e sentimentos dos outros...

Apenas para quem me ame e bem queira, tudo o que partir de mim terá um maior valor, pois a empatia que nos unir trará uma melhor compreensão de tudo o que partir de mim...

E mesmo aquilo que não for aceito ainda assim será um sopro de vida, da minha vida!

No fim os outros desejos manifestos não passam de desvarios que nem em minha mais tenra idade poderiam ser satisfeitos quando ousaram ser manifestos...

A alma andarilha, liberta, vaga, caminha pelos caminhos abertos pelos corpos, a mente e os sentimentos se são hemisférios opostos fazem parte da geografia misteriosa da vida.

Encontro-me agora nesta solidão tanto mais longe de mim mesmo, quanto a distância entre dois pontos, entre opiniões diferentes, sentimentos de toda a gente; mas será que não é apenas uma questão de observação, paciência, amor e empenho?

Se os passos do andarilho definem o seu espaço, não será apenas uma questão de sorte que uns tenham os pés mais largos e outros não.