sábado, 23 de abril de 2011

O pai de Júnior

O sol já batera o ponto a algumas horas e a lua estava excepcionalmente bela naquela noite.
Um homem cambaleava por entre as árvores do bosque e tropeçava.
Salvo pelos reflexos que ainda o restavam agora se sustentava no tronco da velha Figueira. Olhou para cima e viu um casal de pássaros voarem felizes em direções opostas, encostou seu queixo no peito e sentindo o cheiro azedo de vinho e batom de sua camisa xadrez azul e marrom percebeu que não poderia voltar para casa.
E pensar que hoje mesmo mostrava ao seu filho como rio é limpo e flúido. Se indagou um momento sobre a vida e teve um desses estalos de consciência onde se percebe uma luz clareando nossos pensamentos obscuros. Chegou a rir de suas preocupações, fechou o zíper, olhou para a árvore e disse:
- Me desculpe.

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